sexta-feira, 3 de junho de 2011
Profissionais trocam a academia pelos laboratórios de empresas
quinta-feira, 2 de junho de 2011
A inovação necessita de novas ideias
Ciência, tecnologia e inovação (CT&I) são motores essenciais do crescimento econômico e do bem-estar nacional. Daí que investir na CT&I tornou-se fonte de esperança para muitos países, tanto ricos como pobres.
Mas a inovação requer a busca de novas ideias, e as atividades de ciência e a tecnologia (C&T) podem não estar bem estruturadas nos Estados Unidos (EUA) e em outros países para atrair, reconhecer e explorar novas ideias. É preciso reexaminar algumas antigas tradições e modos de operar, a fim de garantir a otimização do sistema como motor para levar avante os objetivos da sociedade.
A revisão por pares é amplamente reconhecida como o melhor sistema para escolher os projetos de pesquisa a serem financiados e decidir sobre os artigos a serem publicados.
Mas a revisão pelos pares pode ser um tanto conservadora, sobretudo quando o apoio financeiro disponível é limitado, fazendo com que se apoiem os projetos "mais seguros" e não os de maior risco, baseados em escassas provas piloto.
Nos EUA pelo menos, como aponta a Direção Nacional de Ciência, em 2007¹, não tem dado bons resultados o esforço de exortar pareceristas e agências de fomento a ampliarem o apoio a pesquisas de alto risco e potencialmente mais rentáveis ou transformadoras, capazes de revolucionar uma área do conhecimento.
São necessários mais programas como o Prêmio Pioneiro dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA [National Institutes of Health (NIH) Pioneer Awards) e o ARPA-E do Departamento de Energia dos EUA, que reservam recursos para apoiar pesquisas inovadoras que abram novas fronteiras. Os projetos são analisados por comitês incumbidos de avaliar seu potencial transformador, ao lado de sua qualidade geral.
Os centros de pesquisa que trabalham com pesquisas de alto risco poderão ter que repensar prazos de avaliação e critérios para julgar e recompensar desempenho.
Programas de pesquisa transformadora podem demorar mais para atingir seus objetivos do que programas de incremento concebidos de modo mais linear; a pesquisa transformadora pode ter muitos inícios falsos e, assim, reduzir a taxa de publicação.
Esse fator também deve ser considerado pelas agências de fomento, que podem, igualmente, ter que repensar seus critérios de apoio e de avaliação do progresso.
A inovação também será beneficiada tanto pelo aumento do número de jovens cientistas quanto pela diversidade das equipes de pesquisadores.
Um dos melhores argumentos para se defender mais apoio aos jovens pesquisadores é que os cientistas deveriam ser estimulados a desenvolver suas ideias mais criativas, que surgem mais cedo em suas carreiras, como muitas pessoas creem.
É preciso haver mais programas como o Apoio ao Pesquisador Independente Iniciante do Conselho Europeu de Pesquisa (European Research Council's Starting Independent Researcher Gransts), o Prêmio Jovem Inovador dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH's New Innovator Awards) e o Financiamento à Carreira dado pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA (National Science Foundation's Carrer grants).
Além disso, a inovação surge muitas vezes do pensamento não-tradicional. E muitas ideias novas virão de novos pesquisadores das áreas de ciências e engenharias, frequentemente menos presos a estruturas tradicionais.
São argumentos a favor do aumento da diversidade no universo de pesquisadores, acrescentando-se a ele mais mulheres, minorias, cientistas com deficiências físicas, bem como pesquisadores de instituições menores e menos conhecidas.
Os benefícios da crescente diversidade para fomentar a inovação e o êxito econômico também têm sido discutidos em vários âmbitos.² Tanto os centros de pesquisa como as agências de fomento precisam dar mais atenção a essas fontes de novas ideias e, neste sentido, podem ter que refinar seus sistemas de recrutamento, incentivo e financiamento.
Será difícil promover tais ajustes sistêmicos na C&T de grande desempenho e nas agências de fomento, sobretudo ante os graves cortes orçamentários que ameaçam programas de pesquisa em curso em muitas partes do mundo.
Para efetuar tais mudanças, os escalões mais altos das instituições de C&T terão que revelar liderança e coragem. Mas, se a comunidade de C&T seguir disposta a cumprir sua parte na promessa que levou à crença de que ciência, tecnologia e inovação serão a fonte de bem-estar futuro, as mudanças terão de ser feitas. (Tradução de José Monserrat Filho)
1) Ver <www.nsf.gov/nsb/documents/2007/tr_report.pdf>
2) S. E. Page, The Difference: How the Power of Diversity Creates Better Groups, Firms, Schools and Societies (Princeton Univ. Press, Princeton, NJ, 2007).
domingo, 29 de maio de 2011
Longe da novidade
terça-feira, 3 de maio de 2011
Centros avançados
Some-se a isso um parque industrial diversificado e um pacote de incentivos, que inclui as vantagens da Lei do Bem, da Lei da Inovação e da Lei de Informática, além de linhas de investimento do BNDES, e está criado um ambiente de estímulo à inovação.
Prova disso é o número crescente de gigantes mundiais que vêm anunciando a instalação de centros de pesquisa tecnológica no país. Estão nesse grupo empresas como IBM, GE e Saab, além das chinesas Huawei e ZTE e da taiwanesa Foxconn. Outras companhias, como Dow, SAP e Whirlpool, que já contam há mais tempo com estruturas de pesquisa no país, inauguram novos centros tecnológicos brasileiros.
"No mundo contemporâneo não há ciência, tecnologia e inovação de qualidade sem centros de pesquisa e desenvolvimento de primeira linha, ancorados em empresas que atuam internacionalmente", diz Ronaldo Mota, secretário de desenvolvimento tecnológico e inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). "A vinda já em curso de um centro de P&D como o da IBM, por exemplo, nos coloca em outro nível em termos de desenvolvimento de capacidade computacional", avalia Mota. O governo atuou forte para atrair esse centro para o Brasil, que disputou a instalação com mais de dez países, diz Marcos Vinicius de Souza, diretor do departamento de fomento e inovação da Secretaria de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
O momento positivo deve ser aproveitado para acelerar o avanço tecnológico de sua pauta de exportação, propõe Ronald Dauscha, diretor de tecnologia e inovação da Siemens Brasil, que tem seis centros de tecnologia no Brasil, ligados às suas unidades de negócio. O mais recente foi inaugurado há cerca de dois anos no Rio, na área de óleo e gás. "Ainda 80% de nosso PIB é formado pelo mercado interno. Mas temos que trabalhar o quanto antes o mercado externo, porque nem sempre teremos o movimento de classe D indo para C, e de C para B", afirma.
Interessa ao governo brasileiro atrair conhecimento ao país para que isso se traduza em exportações com elevado nível tecnológico. É o caso das diversas empresas internacionais que desenvolvem tecnologia para a exploração de petróleo do pré-sal, em parceria com companhias brasileiras. "Essa tecnologia vai se tornar referência internacional", diz o secretário.
Isso já ocorre em subsidiárias brasileiras de companhias globais. Um exemplo é a nova versão das embalagens de plástico flexível para molhos e outros alimentos, capazes de ficar em pé, as 'stand up pouch', que chegarão ao consumidor em alguns meses. A novidade é que elas podem ser totalmente recicladas, já que serão feitas de um único material, o polietileno. A nova tecnologia foi desenvolvida pela Dow em seu recém inaugurado centro de desenvolvimento de aplicações de plástico de Jundiaí (SP) e está sendo exportada para suas divisões na Europa e no Pacífico.
"Queremos não somente desenvolver a matéria-prima, mas também ajudar nossos clientes, e os clientes de nossos clientes, a entender a nova tecnologia e desenvolver sua aplicação", diz Carlos Costa, líder da companhia para América Latina na área plásticos.
Para Carlos Eduardo Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), estender a inovação para a cadeia produtiva tornas as empresas mais competitivas. Esse será o tema deste ano da conferência anual da entidade, que reúne cerca de 200 empresas instaladas no País. "Quanto mais inovação houver nos fornecedores e clientes, mais competitiva a cadeia e suas empresas. No final, ganha o país", diz Calmanovici.
Poucos sabem, mas também o purificador de água Brastemp, o refrigerador Consul Facilite, o primeiro frost free de uma porta do mundo e a minilavadora Eggo, em formato de ovo e com capacidade de um quilo, para lavagem de pequenas peças e roupa infantil, foram desenvolvidos no Brasil. Eles fazem parte de uma lista de onze produtos criados recentemente por pesquisadores brasileiros nos quatro centros de tecnologia da Whirlpool no País. Sua tecnologia também é exportada para outros países. "Nos orgulhamos muito do capital intelectual desses centros. Além de garantir a liderança de nossas marcas no País, eles geraram muitas patentes para a companhia", diz Mario Fioretti, gerente geral de inovação e design para a América Latina da Whirlpool.
"Há coisas que se fazem no Brasil e que são inovadoras globalmente", destaca o argentino Humberto Vieites, diretor de ecossistemas e canais da SAP Brasil. A capacidade de inovação do país foi um dos pontos que pesaram na decisão da líder mundial em software de negócios para instalar em São Paulo, em outubro do ano passado, um de seus cinco laboratórios de coinovação do mundo, com investimentos de cerca R$ 1 milhão. Neste mês, a empresa vai lançar a primeira solução desenvolvida nesse centro com parceiro brasileiro.
Mas o País ainda tem um caminho de esforços pela frente. O principal é quanto à formação de pessoas, especialmente nas áreas tecnológicas e de engenharia. Em TI, o déficit de profissionais deve chegar a quase 92 mil pessoas neste ano, segundo estudo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). "O que está vindo para o País é o investimento atraído pelo mercado. O Brasil ainda não é forte em P&D atraído pela tecnologia, em que o que interessa é o cérebro, os engenheiros e cientistas", diz Sergio Queiroz, professor do departamento de política científica e tecnológica da Unicamp.
Para mais informações acesse o caderno Especial Inovação:http://www.valoronline.com.br.
(Valor Econômico)
